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Provedora de internet fecha as portas após ataques de facção no Ceará

Os ataques contra os provedores de internet no Ceará têm ocorrido desde fevereiro.

CAUCAIA, CE — Em um golpe que ecoa a fragilidade da segurança digital no Ceará, a provedora de internet GPX Telecom, de Caucaia, anunciou o encerramento de suas atividades após ser alvo de ataques orquestrados pela facção criminosa Comando Vermelho. A empresa, que por nove anos conectou bairros da região metropolitana de Fortaleza, sucumbiu à extorsão e ao terror, em um cenário que revela a ousadia crescente do crime organizado no controle de serviços essenciais.

O que se viu em Caucaia não foi um mero ato de vandalismo, mas uma demonstração de poder. Em menos de 20 minutos, a estrutura da GPX Telecom foi dizimada, um ataque cirúrgico que mirava não apenas a infraestrutura, mas a alma do negócio. A mensagem era clara: no Ceará, a internet tem um preço, e ele é ditado pelo crime.

A GPX Telecom não é um caso isolado. Desde fevereiro, empresas de internet no estado vivem sob o jugo do Comando Vermelho, que exige o pagamento de “taxas” para garantir a operação. A recusa em ceder à extorsão tem um custo alto: ataques que vão desde o corte de cabos até incêndios e tiros contra as sedes das empresas.

O modus operandi é sofisticado. A facção não se contenta em controlar o território físico; agora, ela busca dominar o espaço virtual, impondo um pedágio digital à população. A estratégia é clara: criar um monopólio do terror, onde a internet se torna mais um instrumento de poder nas mãos do crime.

O impacto é devastador. Em Caridade, por exemplo, a queda na conexão chegou a atingir 90% dos clientes, isolando comunidades inteiras. O prejuízo não se resume à perda de acesso à informação e ao entretenimento; ele se estende à economia local, aos serviços públicos e à segurança, criando um vácuo de poder que o crime organizado preenche com facilidade.

O governo do Ceará, em resposta, criou um grupo especial para investigar os ataques. No entanto, a ação chega tarde para a GPX Telecom, que se junta a uma lista crescente de vítimas da guerra digital travada no estado. A pergunta que fica é: até quando o Ceará será refém do crime organizado na era da informação?