sexta-feira, 30 de janeiro de 2026.
Início Economia Governo revoga norma sobre monitoramento de transações com Pix após onda de...

Governo revoga norma sobre monitoramento de transações com Pix após onda de desinformação

As transações totalizaram 117 bilhões e 400 milhões de reais na segunda-feira, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central.

BRASÍLIA, DF — Em meio a uma crise de desinformação e temores infundados sobre a taxação do Pix, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (15/01/2025) a revogação da Instrução Normativa da Receita Federal que ampliava o monitoramento de transações financeiras, incluindo operações realizadas pelo sistema de pagamentos instantâneos. A decisão, tomada após uma série de repercussões negativas e notícias falsas, visa restabelecer a confiança no Pix e garantir a gratuidade e o sigilo das transações.

A norma, em vigor desde o início do ano, exigia que fintechs e instituições de pagamento reportassem à Receita Federal movimentações mensais acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas. O objetivo era aprimorar a fiscalização e combater a sonegação fiscal, mas a medida foi alvo de interpretações equivocadas. Vídeos manipulados com inteligência artificial, que simulavam a voz do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugerindo a criação de um “imposto do Pix”, viralizaram nas redes sociais, gerando pânico e confusão.

A repercussão negativa foi além das redes. Comerciantes passaram a cobrar taxas extras ou recusar pagamentos via Pix, e golpes envolvendo boletos falsos se multiplicaram. Diante do cenário, o governo optou por revogar a norma e editar uma Medida Provisória (MP) que reforça a gratuidade e o sigilo do Pix, equiparando-o ao pagamento em dinheiro. A MP também proíbe a cobrança diferenciada entre transações digitais e em espécie, protegendo os consumidores de práticas abusivas.

Com a revogação, os limites de monitoramento retornam aos patamares anteriores: R$ 2 mil para pessoas físicas e R$ 6 mil para jurídicas. Além disso, a obrigatoriedade de envio de informações à Receita Federal será mantida apenas para bancos tradicionais, excluindo fintechs e instituições de pagamento. O governo também anunciou investigações contra disseminadores de fake news e golpes relacionados ao Pix.

A decisão reflete a importância do Pix como um dos principais métodos de pagamento do país, utilizado por mais de 160 milhões de pessoas. Ao revogar a norma, o governo busca acalmar os ânimos e garantir a continuidade de um sistema que revolucionou as transações financeiras no Brasil. A nova MP, por sua vez, reforça os princípios de gratuidade e sigilo, alinhados à Constituição, e ressalta o compromisso com a proteção dos consumidores.

Enquanto isso, a Receita Federal mantém o foco no combate à sonegação fiscal, mas com uma abordagem mais cautelosa, evitando medidas que possam gerar desconfiança ou insegurança entre os usuários. O episódio serve como um alerta sobre os desafios de comunicar mudanças fiscais em um cenário marcado pela rápida disseminação de desinformação.