quarta-feira, 18 de março de 2026.
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Inteligência Artificial reconhece doença pela voz

Ao que parece, até mesmo os estáveis postos médicos estão sendo ameaçados pela IA.

O Klick Labs, um grupo de cientistas localizado no Canadá, está explorando a possibilidade de utilizar a tecnologia de reconhecimento de voz com inteligência artificial (IA) para potencialmente diagnosticar o diabetes tipo 2.

Esse método inovador envolve a gravação de um breve áudio de 10 segundos contendo a voz do paciente, que é então processado pela IA.

Os resultados, publicados na revista científica Mayo Clinic Proceedings: Digital Health, apontam que o modelo de IA tem uma precisão de 89% no diagnóstico em mulheres e 86% em homens.

É importante destacar que, embora essa abordagem represente um passo promissor na área da saúde, quaisquer resultados obtidos através dessa tecnologia devem ser confirmados por exames médicos tradicionais.

No entanto, a capacidade da IA em analisar a voz para detectar indicadores de diabetes tipo 2 abre portas para potenciais avanços no diagnóstico precoce e na monitorização da saúde, tornando-se um desenvolvimento significativo na integração da tecnologia na medicina.

Jaycee Kaufman, cientista do Klick Labs e autora principal do estudo, observa que a pesquisa identificou diferenças vocais marcantes entre pessoas com e sem diabetes tipo 2, apontando para a possibilidade de revolucionar a maneira como os profissionais de saúde realizam a triagem da doença.

O diagnóstico

Nos últimos anos, não foi apenas a equipe de pesquisa canadense que demonstrou interesse na possibilidade de diagnosticar doenças ou identificar indicadores de condições de saúde por meio da análise da voz dos pacientes.

Em relação a doenças respiratórias, um estudo indiano já indicou a capacidade de rastrear casos de resfriado comum por meio de amostras de áudio com o auxílio da IA.

Pesquisadores norte-americanos sugeriram que a identificação da covid-19 poderia ser viável por meio da análise da fala. De forma mais ambiciosa, cientistas chineses alegaram a possibilidade de rastrear casos de depressão com uma precisão de 87% por meio da voz.

Atualmente, a maioria dessas tecnologias ainda não se encontra disponível comercialmente, inclusive aquela que visa rastrear o diabetes tipo 2.

O desenvolvimento e a validação clínica dessas ferramentas estão em andamento, e a implementação em larga escala exigirá mais pesquisas e regulamentações antes de se tornarem parte da prática clínica comum.