Início Economia Na FIEAM, Mourão aponta caminhos para retomada da produtividade

Na FIEAM, Mourão aponta caminhos para retomada da produtividade

Em palestra para mais de 400 empresários na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), o vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), disse ontem que o baixo crescimento econômico e a deterioração das contas públicas são os dois principais problemas estruturais da economia brasileira.

Para o general, a produtividade do país depende de uma combinação de fatores que incluem a reforma do sistema tributário, que gira em torno de de 34% a 35% do Produto Interno Bruto (PIB) e que o ideal seria de 22%. Para ele, é preciso implementar um forte ajuste fiscal para estabilizar a dívida bruta e gerando reflexo imediato também na Amazônia.

De acordo com o palestrante, entre o período de 1980 a 2018, o PIB ficou a 2% em média por ano, enquanto no intervalo de 1950 a 1980 a taxa chegou a 7%. Esse crescimento, segundo o general, se deveu mais a fatores demográficos, ligados à “quantidade de braços” que entraram no mercado de trabalho e não a educação.

“Temos que mudar isso e baixar as taxas. É preciso acontecer algo que é extremamente importante para estados e municípios, como o novo pacto federativo”, destacou para citar que nos Estados Unidos 70% dos recursos estãonas mãos dos estados e municípios e 30% como o governo federal. No Brasil é o contrário. “A busca do governo federal é descentralizar os recursos: menos Brasília e mais Brasil, mais Amazonas”, assinalou.

A abertura da economia para o comércio mundial também foi defendida por Mourão como lenta, gradual e segura. “Enquanto nós não fizermos a reforma tributária, não podemos expor a nossa produção a um choque contra outro sistema, que é muito mais competitivo, porque os custos são muito menores, então nós temos que organizar essa abertura”, anunciou e arrancou aplausos.

Para a consolidação fiscal, o vice-presidente apontou a necessidade da reforma previdenciária. “Não é a solução de todos os males do país, é o passo inicial para destravar o jogo, para que se possa transpor a linha de partidapara o clima de confiança que os investidores precisam ter no nosso país e o dinheiro comece a entrar”, expôs.

Mourão também falou sobre como o governo pretende lidar com a criminalidade. “Temos que trabalhar em quatro eixos diferentes, endurecer a legislação penal, de modo que os criminosos realmente cumpram o seu tempo na cadeia, terminar com o sistema progressivo, que só beneficia os criminosos, e lidar de forma lógica com os crimes, cometidos por menores, e o sistema prisional tem que mudar”, explicou ele.

Mourão também afirmou que o governo não pode deixar de trabalhar na área social, melhorando as condições de vida das pessoas que vivem nos cinturões de miséria que cercam as grandes cidades. Para ele, é preciso ter acesso a água, luz, esgoto, escola e posto de saúde, para que as pessoas não sejam presa fácil da criminalidade.

VENEZUELA

O vice-presidente Hamilton Mourão também foi muito aplaudido ao comentar a questão da Venezuela. “Com certeza, tudo tem que ser resolvido pelos venezuelanos. Jamais iremos interferir nas questões internas daquele país”, assegurou.

O general prometeu solucionar a questão da exploração do potássio em área do município de Autazes. Hoje Brasil importa 70% do insumo. Com a liberação, a expectativa é de geração de empregos e renda para o Amazonas, afirmou Mourão.

Zona Franca, crescimento e preservação

Anfitrião do evento, o presidente da FIEAM, Antonio Silva, disse que a ZFM é o único motor de crescimento em operação no Amazonas. “Além de responder, direta e indiretamente, pela quase totalidade do PIB e da arrecadação tributária estadual, oferece excelente alternativa econômica geradora de renda e emprego e é responsável pela preservação de mais de 97% da floresta que cobre o estado do Amazonas, o que tem sido um fator importante para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas no mundo”, destacou ele.

É engano pensar que a manutenção de incentivos para a ZFM prejudica o país, segundo Silva, os dois impostos federais incentivados IPI e II geram receita de outros tributos, em valor superior às renúncias alegadas. “Isso é comprovado pelo montante arrecadado anualmente pelo Amazonas ao Governo Federal, o maior da região norte”, disse ele.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, também defendeu o modelo ZFM. Para ele, falar de ZFM para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, é falar para um “convertido”, por ter raízes fortes na região e que entende a necessidade de tratarmos dela. “Não tenho dúvida de que o general compreende a ZFM, compreende que ela é estratégica e fundamental não só para o Brasil, mas para o planeta”.