terça-feira, 7 de julho de 2026.
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Uso de tadalafila viraliza nas redes e médicos alertam para riscos

O uso de tadalafila deixou de ser restrito aos consultórios urológicos e ganhou as timelines das redes sociais. O medicamento, originalmente prescrito para o tratamento de disfunção erétil e hiperplasia prostática benigna, tem sido vulgarizado por influenciadores digitais como um “potencializador” de performance física e sexual, gerando um alerta vermelho entre sociedades médicas de cardiologia e urologia.

O fenômeno digital transformou o inibidor da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) em um modismo. Em vídeos e postagens, o fármaco é frequentemente associado a rotinas de treinos intensos e alta performance, ignorando sua natureza farmacológica. Essa descontextualização tem impulsionado a automedicação, uma prática que especialistas classificam como um problema de saúde pública.

Riscos cardiovasculares e efeitos adversos

A principal preocupação médica reside no perfil hemodinâmico da tadalafila. Por ser um vasodilatador, o medicamento altera a pressão arterial. O consumo sem triagem clínica prévia representa um risco severo para indivíduos com condições cardiovasculares não diagnosticadas ou para aqueles que fazem uso de nitratos — a combinação pode provocar hipotensão sistêmica grave e até óbito.

Além do perigo cardiovascular, a comunidade médica reforça os efeitos colaterais do uso indiscriminado. Cefaleias intensas, rubor facial, dispepsia (azia), alterações visuais e priapismo — ereções prolongadas e dolorosas que podem causar lesões teciduais irreversíveis — são reações adversas documentadas e mais frequentes quando o fármaco é utilizado sem posologia médica.

O papel das redes sociais e a regulação

Sociedades de classe, como a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), têm emitido notas de repúdio à banalização do fármaco. Os médicos argumentam que a prescrição exige uma anamnese detalhada, avaliação de fatores de risco e acompanhamento periódico.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica a tadalafila como um medicamento de venda sob prescrição médica. No entanto, a fiscalização sobre a venda irregular em farmácias e a comercialização ilícita em ambientes de musculação e pela internet permanecem como desafios para a saúde pública.

Para os especialistas, o caminho para mitigar os danos desse “modismo” passa não apenas pela regulação sanitária, mas por uma campanha robusta de esclarecimento. A mensagem médica é uníssona: não existem atalhos farmacológicos para a performance, e a automedicação nas redes sociais cobra um preço alto à saúde cardiovascular.